O espaço da História

Introdução

Esta narrativa aborda as questões militares da Revolução Francesa. Assim, trata da instituição militar, das suas transformações e do seu relacionamento com um poder político, também este em rápida transformação, das guerras que a França travou, de algumas das batalhas que os exércitos franceses travaram,  da organização das forças militares, do seu armamento e equipamento, das suas tácticas. Em resumo, trata-se de um trabalho típico de História Militar.

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I - A guerra e os exércitos no século XVIII

O século XVIII foi o século da supremacia militar da Europa. As grandes potências não europeias, o Império Manchu na China, o Império Mogul na Índia e o Império Otomano, potência oriental apesar de parte do seu território e a sua capital, Constantinopla, se situarem na Europa, estavam já em declínio e não tinham capacidade para exercerem influência para além das suas fronteiras. As potências europeias, pelo contrário, tinham interesses nos outros continentes e esses interesses estavam em expansão. Aquelas que possuíam territórios para além das suas fronteiras eram as grandes potências - o Reino Unido, a França, a Espanha, a Rússia e a Áustria - e duas outras potências que, ao nível europeu, eram mais modestas: Portugal e a Holanda. Na Europa, existiam outras potências que não tinham  interesses a defender noutros continentes mas apresentavam um poder militar a ter em conta nos conflitos europeus: a Suécia e a Prússia.

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III - Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi o cenário dos acontecimentos que nos propomos narrar. As referências geográficas destes acontecimentos são extensas porque, directa ou indirectamente, pelas ideias ou pela força das armas, a Revolução ultrapassou fronteiras. As referências cronológicas também são relativamente vastas. A data de 14 de Julho de 1789, dia da Tomada da Bastilha, foi rapidamente adoptada como um marco histórico. No ano seguinte, este dia foi celebrado como a Fête de la Fédération e estas celebrações foram, em 1880, adoptadas como Fête Nationale Française. O dia 14 de Julho de 1789 é, portanto, o marco incontestável do início da Revolução Francesa mas não devemos ignorar as suas origens.

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IV - A "Garde Nationale" na Revolução Francesa

A Garde nationale foi uma milícia de cidadãos franceses, criada em Paris, em julho de 1789. Tratou-se de uma força organizada com dois objetivos: por um lado, assegurar a ordem e a proteção de pessoas e bens frente aos grupos revoltosos; por outro, defender Paris de uma eventual intervenção das tropas francesas ainda afetas ao Rei. Milícias idênticas à de Paris foram rapidamente organizadas na generalidade das cidades francesas. A legislação que foi aprovada nos anos seguintes transformou este conjunto de guardas nacionais numa força da ordem, armada e em uniforme, mas não profissional e sob controlo da autoridade civil. A legislação previa ainda a organização, no seio das guardas nacionais, de unidades militares de voluntários que reforçariam as tropas regulares na defesa do território contra inimigos externos.

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Introdução

A Cronologia das Guerras da Revolução Francesa é muito longa.

É longa por duas razões. Em primeiro lugar, porque abarca os acontecimentos militares de um período de dez anos, de 1792 a 1801, os anos em que começaram e terminaram as hostilidades, embora fosse necessário esperar por 1802 para que a paz fosse formalmente estabelecida entre a França e o Reino Unido. Em segundo lugar, porque envolve um elevado número de ações militares (combates, batalhas, cercos) em vários teatros de operações (Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria, Itália, Espanha, Dinamarca, Egito, Síria Otomana e ainda Portugal se considerarmos a Guerra das Laranjas como parte deste conjunto).

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1792

7 fevereiro - Tratado de Berlim Aliança entre a Áustria e a Prússia.

20 abril - A Assembleia Nacional francesa declara guerra ao Rei da Hungria e Boémia (imperador da Áustria).

28/29 abril – Combates de Mons, cidade no Sul da Bélgica. Início das Guerras da Revolução Francesa. Vitória das forças austríacas (5.000 homens sob comando do “Feldmarschalleutnant” Johann Peter, Barão de Beaulieu) sobre as forças francesas (7.500 homens sob comando do tenente-general Armand-Louis de Gontaut Biron). Esta foi a primeira ação deste conflito e foi lançada pelos Franceses que fracassaram perante as tropas austríacas. As forças francesas tiveram 400 mortos, feridos e capturados além de perderem 6 bocas de fogo de artilharia e numerosos carros de transporte de munições e abastecimentos. As forças austríacas tiveram 10 mortos e 20 feridos.

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1796

10 abril - Combate de Voltri, pequeno porto no noroeste de Itália, 16 Km a oeste de Génova. Guerra da Primeira Coligação. Vitória das forças austríacas (10.000 homens sob comando do “Feldzeugmeister” Johann Peter Beaulieu de Marconnay) sobre as forças francesas (3.500 homens sob comando do Coronel Cervoni). Não se conhecem as baixas das forças austríacas. Sobre as forças francesas sabe-se que foram capturados 150 homens.

11/12 abril - Combate de Montenotte, aldeia no noroeste de Itália, 19 Km a noroeste de Savona. Guerra da Primeira Coligação. Vitória das forças francesas (14.000 homens sob o comando do General de Divisão Napoleão Bonaparte) sobre as forças austríacas (9.000 homens sob comando do “Feldmarschalleutnant” Eugen Gillis Wilhelm Mercy d’Argenteau). As forças francesas tiveram 800 mortos, feridos e desaparecidos. As forças austríacas perderam 2.500 homens, a maior parte capturados, além de 12 bocas de fogo de artilharia.

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