VIII - El rei de Castela prepara-se

59. COMO ELREI DE CASTELA MANDOU PRENDER O CONDE DOM AFONSO, SEU IRMÃO.

Assim aveio que estando elRei de Castela na Póboa de Monte Alvom, onde ficou quando deixámos de falar dos seus feitos [1], chegou-lhe recado em como elRei dom Fernando era morto, e tanto que o soube, logo ao outro dia mandou chamar seu irmão dom Afonso, Conde de Gijom, à câmara onde estava, e disse-lhe como lhe trouxeram recado de que elRei dom Fernando, seu pai, era finado,  e que por tanto, para ser dele seguro, porque estava casado com uma sua filha e se temia que se lançasse em Portugal e fizesse alvoroço no reino, que lhe prazia de ser preso.

O Conde, ficando espantado quando lhe isto ouviu, pedia-lhe por mercê que lhe mantivesse o que lhe prometera, quando com ele comungara o corpo de Deus. ElRei disse que não curava das suas razões, pois era certo que depois que o Conde partira de Gijom e viera para a sua mercê, ele errara muito em mandar algumas cartas a Portugal para seu desserviço.

O Conde jurava que nunca tal coisa fizera, e que fosse sua mercê de lhe ter [2] o que lhe prometera. ElRei, não curando de coisa que ele dissesse, entregou-o preso a dom Pedro Tenoiro, Arcebispo de Toledo, e este trouxe-o fora do Paço, onde já estavam até cinquenta a cavalo, e entregou-o a um dos mais honrados que com ele andavam, e foi-se onde o Conde pousava e prendeu a Condessa, sua mulher, e mandou-a logo a Toledo, que eram dali cinco léguas, e o Conde isso mesmo foi lá levado.

E sendo o Conde preso por grande tempo, deu elRei a terra de Noruena [3] à igreja de Ovedo [4], e confiscou para a coroa de seus reinos todos os outros bens que o Conde havia nas Estuiras [5] [6].

60. COMO ELREI DE CASTELA MANDOU PRENDER O INFANTE DOM JOÃO DE PORTUGAL.

Já tendes ouvido, onde falámos da ida do Infante dom João para Castela [7], como por azo da Infanta dona Beatriz, sua irmã, mulher do Conde dom Sancho, fora encaminhado dele ficar com elRei. E foi assim que lhe deu elRei Alva de Tormes [8], Real de Maçanales [9] e outros lugares, porém não vivia tão abastadamente como cumpria ao seu estado, pois não andavam com ele mais do que até dez ou doze que o acompanhavam de cote [10], mas outros fidalgos, que o amavam muito por quem ele era, lhe faziam grande honra e gasalhado, acompanhando-o em sua casa e para o Paço, assim como dom João, filho de dom Tello, irmão delRei dom Henrique, que trazia dez vezes tanta casa maior que o Infante, e isso mesmo o Marquês de Vilhena e Pêro Fernandez de Valasco [11], que nunca errava cento e cinquenta de mulas consigo, e acompanhavam-no mais João Duque e Rui Duque, seu irmão, e outros bons fidalgos da casa delRei.

E como elRei de Castela casou com a Infanta dona Beatriz sabendo que elRei dom Fernando era doente muito amiúde, logo se recearam de o Infante poder reinar de pós [12] sua morte, e começaram de não se segurar dele e a ter maneira que não fizesse de si coisa que elRei o não soubesse. Alguns dos seus, que isto entendiam, diziam-no por vezes ao Infante, e ele, como homem afastado de toda a malícia, não curava do que lhe diziam. E tanto que elRei fez prender o Conde dom Afonso, seu irmão, logo mandou prender o Infante dom João por Garcia Gonçalvez de Grisalva, nas pousadas do Infante, e fez-lhe dizer que o não prendia por coisa que dele soubesse contra o seu serviço, mas que se receava, pois elRei dom Fernando era finado, de o tomarem alguns portugueses por Rei e haver bulício no reino contra a ordenação dos tratos, e que até que fosse assossegado, lhe prazia dele ser reteúdo [13]. Outros afirmam a sua prisão muito por outra maneira, e dizem que tanto que elRei dom Fernando se finou, logo alguns do reino lhe escreveram depressa em como elRei, seu irmão, era morto, e que visse para sua honra o que lhe cumpria fazer sobre isto, e que ele, como lhe este recado chegou, se foi a elRei e mostrou-lhe as cartas, e este, dizendo que lho agradecia muito, que então o mandou prender. Porém, de qualquer guisa que fosse, elRei mandou pôr nele boa guarda, e defendeu [14] que qualquer dos seus que fosse achado naquela cidade para onde ele o mandara levar, fosse preso até sua mercê.

61. COMO ELREI FEZ EM TOLEDO EXÉQUIAS POR ELREI DOM FERNANDO, E DA MANEIRA QUE EM ISTO TEVE.

Presos assim o Conde dom Afonso e o Infante dom João, como ouvistes, ordenou elRei de fazer saimento por elRei dom Fernando na cidade de Toledo, e mandou lá corrigir as coisas que cumpria, e ele atendeu ali [15] até que tal fosse feito.

E como lhe trouxeram recado que era tudo prestes, partiu elRei para lá e a Rainha isso mesmo, e elRei levava um saio preto e a Rainha ia em umas andes [16]  vestida de almáfega preta, e as andes cobertas todas de pano preto, que a não via nenhum. Os portugueses que andavam com ela levavam burel branco vestido, e isso mesmo as mulheres. E quando chegaram era já hora de véspera, e foram descavalgar a uma igreja que é muito perto do lugar, e vieram-se para ela todas as donas da cidade, para irem em sua companha. Dali levaram a Rainha à , onde já estava um grande estrado feito e o ataúde em cima posto, tudo corrigido como cumpria. E quando entraram pela porta da Sé fizeram todos os portugueses grande dó, e a Rainha, com as mulheres que de Portugal foram. E depois que acabaram as suas vésperas era já tarde, e foram para os seus Paços que eram dentro da cidade, onde a Rainha tinha, na sala e na câmara, tudo armado com panos tintos de preto.

Ao outro dia pela manhã partiu elRei com a Rainha para a Sé, onde já estava feito um alto corregimento para eles, e como entraram pela porta fizeram o seu dó, assim como às vésperas [17]. E depois que se tiraram afora [18], elRei desvestiu os panos pretos que levava e vestiu um comprido mantão de pano de ouro, forrado de arminhas, aberto pela parte direita, e chamavam-lhes então mantões lombardos, a Rainha outrossim foi vestida daquele pano mui ricamente, e o sobrecéu e o assentamento em que estavam, tudo era coberto até ao chão daquele mesmo pano de ouro, e foi-se elRei com a Rainha assentar naquele corregimento. Estando eles assim, veio uma procissão em esta guisa, vinha o Arcebispo de Toledo, com capa bem rica e mitra na cabeça, e todos os cónegos e a clerezia da cidade rezando, e traziam a bandeira das armas de Castela com os sinais de Portugal cosidos em baixo, e levaram-na, com esta procissão, e puseram-na entre elRei e a Rainha.

Fez então elRei chamar Vasco Martins de Melo, que fora de Portugal com a Rainha, e este veio logo perante ele, e elRei disse-lhe que a mais honrosa coisa que em seu reino havia, que ofício fosse, assim era o seu Alferes-mor, e que ele para lhe galardoar a sua vinda, que viera de Portugal com a Rainha, sua mulher, e depois por o conhecer como mui bom, o fazia seu Alferes de Castela e de Portugal, e que tomasse logo aquela bandeira e a levantasse por ele, segundo é costume quando fazem algum rei novamente. Vasco Martins disse que lho tinha em grande mercê, mas que tal carrego não filharia por ser vassalo delRei dom Fernando e seu Guarda-mor, e que poderia ser de recrescer-se depois guerra contra o reino de que ele era natural, e cair em caso de menos valer.

62. DO QUE ACONTECEU QUANDO ALÇARAM PENDÃO POR ELREI DE CASTELA.

Quando elRei viu que a sua intenção era de não tomar carrego de ser seu Alferes, mandou chamar João Furtado de Mendonça [19], deu-lhe aquele ofício e entregou-lhe a bandeira. João Furtado teve-lho em grande mercê e levantou-a logo, e começaram de dar às trombetas, dizendo a grandes vozes, Arraial! Arraial! Por elRei dom João de Castela e de Portugal! E assim levaram a bandeira até fora da Sé.

À porta estava já prestes um cavalo delRei selado, para se trazer nele a bandeira por toda a cidade, e estava aí João Nunez de Toledo, e outros a cavalo, com senhas [20] hastas de dardo brancas nas mãos e alfaremes [21] em elas, para irem em sua companhia. Cavalgou o Alferes e puseram-lhe a bandeira na funda que levava na sela, e João Nunez deu grandes vozes para que todos dissessem arraial, arraial, por seu Senhor elRei dom João de Castela e de Portugal, começando a correr todos a pós a bandeira que ia diante. E correndo assim com grande prazer, descoseu o vento os sinais de Portugal que iam em baixo, e ficaram pendurados, e o cavalo em que ia o Alferes foi topar no canto [22] fora da Sé, quebrou-se-lhe uma espádua e caiu com ele.

Alguns que viam isto tiveram-no a mau sinal, dizendo entre si que nunca elRei de Castela havia de ser Rei de Portugal. E disseram a elRei que não era bem de os sinais de Portugal andarem assim no fundo, e ele mandou logo pôr ambos os sinais em escudos iguais. E os portugueses que faziam dó por elRei dom Fernando, quando viram o que acontecera do descoser da bandeira e do caimento do cavalo com o Alferes, tomavam grande prazer por isso, dizendo uns aos outros que nunca Deus o havia de fazer senhor de Portugal.

Em isto, desceram elRei e a Rainha do assentamento em que estavam e vestiram os panos de dó que antes traziam, e revestiu-se o Arcebispo e disse missa por elRei dom Fernando. E acabado o dó e as suas exéquias, foram comer e em seguida partiram logo para a Póboa de Monte Alvom, onde antes pousavam, e ali estiveram até uns dez dias.

63. COMO ELREI TEVE CONSELHO DE SE ERA BEM ENTRAR EM PORTUGAL, E COMO DETERMINOU DE O FAZER.

Estando elRei naquele lugar, teve conselho de se era bem entrar logo poderosamente em Portugal para se assenhorear do reino, ou de que maneira nisto teria, porque, tanto como ele soube que elRei dom Fernando era finado, logo enviou chamar por companhas e homens de armas para entrar com elas em Portugal. E sobre isto houve um grande conselho que durou por dias e era partido [23] em duas vozes.

Os mais do conselho, e que melhor e mais sãmente o aconselhavam, diziam assim:

Senhor, vós não deveis nem podeis direitamente entrar em Portugal por esta guisa [24] com gentes de armas, segundo os tratos que entre vós e elRei dom Fernando foram firmados, mas cumpre muito a vosso serviço, segundo a forma em que são jurados, de os guardar e cumprir em tudo, e de ter maneira com as gentes de Portugal de guisa que não vades pela força de gentes entrar no reino. E fazendo-o assim guardareis a vossa verdade, segundo prometestes, e nós isso mesmo convosco, doutro modo, entrando em Portugal com o vosso poderio, não podeis escusar [25] de fazer dano na terra, nem que seja, ao menos, no tomar das viandas [26], por a qual razão cresceria grande ódio entre os portugueses e os castelhanos, o que não era em vosso serviço. E depois, também de quererdes entrar com pouca gente, podia-se-vos seguir perigo. E por isso nos parece que é bem que vos vades para Salamanca, que é cerca de Portugal, e não envieis chamar entretanto por nenhuma gente de armas, mas dali mandai vossos embaixadores a Portugal, notificando aos senhores e poderosos dele como soubestes que elRei dom Fernando era finado, e que bem sabem como ficou por herdeira do reino sua filha, a Rainha dona Beatriz, vossa mulher, e isso mesmo os tratos e avenças que foram sobre isto feitas e juradas, e que a vossa vontade é de guardar todas as coisas nos tratos contidas, segundo o tendes jurado e firmado, e que se eles entendem que aí há alguma coisa a acrescentar ou a minguar neles que seja em proveito e honra do reino, que sois muito prestes de o fazer, sendo em isto guardada a vossa honra e serviço. E que enviem os seus embaixadores àquela cidade [27] para verdes o seu recado, e concordar [28] ali com eles tudo o que para vosso serviço sentirdes.

E ainda nos parece que é bem que vindo tais embaixadores a vós, lhes façais muita honra e partais [29] com eles de vossos dinheiros e jóias, e que lhes digais como queríeis e vos prazeria muito de ter tais maneiras com eles que fossem em vosso serviço, proveito do reino e honra dos moradores dele. Outrossim lhes podeis mais dizer que bem sabem como nos tratos jurados e firmados entre vós e elRei dom Fernando é contido que a Rainha dona Lionor, vossa sogra, haja a governança do reino até que vós hajais filho que passe dos catorze anos, o qual há-de ser criado em Portugal, passado do dia em que nascer até três meses, sob o poderio de sua avó, e que assim vos praz de o guardar e ter, e que se eles entendem outra melhor maneira de regimento por algum ou alguns do reino que dele sejam regedor ou regedores, que por qualquer guisa que eles virem que mais de proveito é, guardando o vosso serviço e honra, que vos praz muito disso e que assim o quereis fazer. E assim o digam os mensageiros que a Portugal mandardes àqueles fidalgos e senhores com que houverem de falar, e a eles prazerá de tais maneiras como com eles quereis ter, assossegarão as suas vontades e havê-los-eis para o vosso serviço.

Outros do conselho, não verdadeiros conselheiros, vendo como elRei havia grande desejo de entrar em Portugal, sem curarem dos tratos e juramentos que ele e os seus haviam feitos para guarda deles, nem das penas e caso em que caíam indo contra todos ou parte deles, mas somente por vontade de comprazer a elRei, louvavam tudo o que ele razoava dizendo que era mui bem de entrar logo poderosamente em Portugal, sem curar de nenhumas avenças, afirmando a elRei que não era teúdo de guardar [30] tais tratos, que foram feitos contra a sua honra e ainda contra o direito, e que por tanto não deviam ser guardados, mas que era mui bem que antes que os portugueses sobre isto houvessem algum avisamento, ele entrasse com as suas gentes no reino para cobrar o direito que nele tinha, e que se alguma outra avença aí houvesse de haver sobre isto, mais para seu serviço era fazer-se dentro de Portugal, que não estando ele em Castela [31].

ElRei, que grande vontade havia de cobrar o reino por qualquer guisa que fosse, chegava-se a esta razão, louvando o que eles diziam.

Os que primeiro falaram desfaziam estas razões, havendo tudo por jogo, e não sãmente entendido, dizendo a elRei:

Senhor, quanto o vosso estado é maior tanto vos deveis mais de guardar de em alguma coisa serdes prasmado [32], e assim como nas coisas boas a tardança é coisa feia, assim a trigança [33], onde não cumpre, é contada por torpeza, nem podemos crer que de tal entrada, por esta guisa, se siga tanto proveito que muito mais dano não seja, ao menos, fazer-vos ficar em dobrada míngua [34], falecendo da prometida verdade e mais do juramento e menagens feitas por isso. Como se pode dizer, por vossa parte, que fostes enganado nos tratos, sendo feitos contra a vossa honra e proveito, como estes dizem, onde [35] tantos letrados e assim [36] avisados e discretos homens do vosso conselho foram juntos antes que os outorgásseis?

E vós mesmo no juramento que fizestes em Badalhouce [37], aprovando todas as coisas que por vosso procurador foram feitas, assim em razão do vosso casamento como na sucessão do reino depois da morte delRei dom Fernando, dais de vós testemunho e fé que primeiro foram vistas e examinadas, havendo sobre todas e cada uma delas largo e maduro conselho, e assim é contido e escrito nos tratos. Pois como se pode dizer, agora, que foram feitos em vosso prejuízo?Dizem-no estes por vos seguirem a vontade, mas não para mostrar razão por que o podeis fazer de direito, antes quebrantais a vossa verdade, e nós ficamos fé-perjuros e caímos em mau caso.

ElRei, desejando entrar em Portugal, crendo que com o seu grande poderio lhe obedeceriam e cobraria o reino, não punha dúvida em no fazer [38] nem curava de conselho que nenhum [39] contra isto lhe desse.

64. COMO O BISPO DA GUARDA DISSE A ELREI QUE LHE DARIA A CIDADE, E COMO ELREI DETERMINOU DE EM TODA A GUISA ENTRAR NO REINO.

Tendo elRei vontade de entrar desta guisa em Portugal, embora duvidando ainda um pouco por azo dos muitos que lho desdiziam, andava aí um Bispo da Guarda, Chanceler da Rainha, que fora com ela de Portugal quando casara, segundo ouvistes, e este disse a elRei de Castela que a cidade da Guarda donde ele era Bispo era mui forte e na frontaria [40] do seu reino, e que todos os mais que em ela viviam eram seus criados e fariam o que lhes ele mandasse, e que se mercê fosse de elRei lá ir, ele o acolheria logo em ela.

A elRei prouve muito do que lhe o Bispo disse e cresceu-lhe mais a vontade de entrar todavia em Portugal, e partiu logo da Póboa de Monte Alvom, onde estava, enviando chamar por companhas e gentes de armas que se viessem depressa para ele, onde quer que fossem [41]. E chegou elRei com a Rainha à ponte de Alcolea, que então o Arcebispo fazia no Tejo, e mandou-lhes o Arcebispo dar, a eles e aos seus, todas as coisas que lhes mister [42] faziam. E estiveram aí dois dias e partiram para Talaveira [43], e daí se foram a Prazença [44].

Ali disse elRei aos do seu conselho que o Bispo da Guarda lhe dissera que lhe daria aquela cidade, perguntando que era o que lhes parecia disto. E alguns deles lhe disseram outra vez que fosse sua mercê de esguardar [45] os tratos que entre ele e os de Portugal havia firmados, e as juras e penas em que ele e os seus caíam em nos quebrantando [46], por a qual razão de nenhuma maneira os devia passar. E que entrando por tal guisa naquela cidade os do reino se temeriam dele, dizendo que contra a sua vontade e a seu pesar se queria apoderar da terra, ademais que a governança do reino, segundo os tratos, era da Rainha dona Lionor, sua sogra, e que ele por direito de nenhuma guisa o podia fazer. E os que davam este conselho diziam ainda mais, para o desviar, que eles sabiam como na cidade da Guarda havia um castelo mui bom, o qual tinha Álvoro Gil de Cabral, que não era da parte do Bispo, e que lhe não cumpria entrar na cidade sem cobrar logo aquele castelo, e que por tanto não se trigasse [47] até que as coisas melhor se encaminhassem para seu serviço. Outros, que de nenhuma coisa curavam senão falar à vontade delRei, diziam que era bem que elRei partisse logo e cobrasse a cidade, que era cabeça de toda a comarca da Beira, uma grande terra em que havia mui ricos e honrados cavaleiros e escudeiros que se viriam logo para ele, querendo antes ser sob governança e senhorio seu que da Rainha dona Lionor, sua sogra.

ElRei, todavia para cobrar o reino, postas adeparte todas as juras e prometimentos que ouvistes, disse que este era mui bom conselho e mandou ao Bispo que se fosse adiante, para ter prestes e encaminhado como ele fosse recebido na cidade.



[1] Segundo parágrafo do capítulo sexto.

[2] Manter.

[3] Noreña.

[4] Oviedo.

[5] Astúrias.

[6] As possessões do Conde nas Astúrias já haviam passado à Coroa em Julho, e a doação de Noreña à Igreja de Oviedo data de 20 de Setembro desse ano.

[7] História do Rei D. Fernando, caps. CV e CVI.

[8] Alba de Tormes.

[9] Real de Manzanares; hoje, Manzanares El Real.

[10] Quotidianamente.

[11] De Velasco.

[12] Após.

[13] Retido, detido.

[14] E ordenou.

[15] Em Puebla de Montalbán. Já Ayala, diversamente, afirma que foi em Torrijos.

[16] Liteira com varais. No sentido literal da palavra, liteira fúnebre.

[17] Na véspera.

[18] Que se retiraram à parte, em privado.

[19] Juan Hurtado de Mendoza.

[20] Cada um com a sua hasta.

[21] Pendões ou estandartes, quiçá alferenas.

[22] Provavelmente, esquina.

[23] Dividido.

[24] Poderosamente, ou seja, pela força.

[25] Evitar.

[26] Alimentos, provisões para a hoste.

[27] Salamanca.

[28] Acordar.

[29] Repartais.

[30] Obrigado a guardar.

[31] Do que, ao invés, estando ele em Castela.

[32] Censurado.

[33] Pressa.

[34] Em dupla falta.

[35] Quando.

[36] E também.

[37] Badajoz.

[38] Em fazê-lo.

[39] Alguém.

[40] Fronteira.

[41] Onde quer que já estivessem o Rei, a Rainha e os que o acompanhavam.

[42] Falta, necessidade.

[43] Talavera de la Reina.

[44] Plasencia.

[45] Respeitar.

[46] Ao quebrantá-los.

[47] Apressasse.